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comentários aleatórios. posts esquizofrênicos. matérias batidas.
batidões.
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Quinta-feira, Julho 06, 2006
Matéria que saiu na edição 101 do jornal Primeira Mão, nosso querido filinho desse período: o jornal laboratório da faculdade.
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UMA HISTÓRIA DE ETIQUETAS
Para lidarmos com as coisas, para nos referirmos a elas, damo-nas nomes. Assim funciona a nossa linguagem. Nomeamos, organizamos em categorias, eternamente etiquetamos caixinhas-de-pensar; e cada vez mais rápido, como que usando uma etiquetadora-metralhadora-giratória. Mas e quando essa etiqueta mais atrapalha que ajuda? E quando o nome marcado na caixinha tem uma carga negativa que nós nem analisamos, já aceitamos de cara?
Isso acontece em todo o lugar e com toda a sorte de coisas, inclusive com a música. Na nossa sociedade dividida em classes, no nosso país com uma desigualdade social tão gigantesca, o poder econômico de quem (mais) ouve determinada música pode decidir como vamos rotulá-la, e, antes, como a crítica vai usar a sua etiquetadora. Uma das etiquetas mais usadas quando a música parece saída do quartinho de empregada, que existe, mesmo que metaforicamente, em toda casa classe média do país, é a de BREGA. Com esse rótulo são abarcados ritmos tão diversos como forró, sertanejo, pagode, funk, tecnobrega, etc. "São barreiras coladas, preconceitos mesmo. Muitas vezes o que está sendo definido não é a música, mas as pessoas que a escutam", explica Helder Trefzer, Maestro da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo.
"E o problema é que em geral esse rótulo não é auto-gerado. Ele vem de fora. O brega não é um movimento, não tem traços estilístico que o definam com tal. Ele é definido pelo público que atinge, o que pode acabar atrapalhando os músicos", fala Mônica Vermes, professora de História da Música na Ufes.
Segundo Helder, as músicas, grosso modo, podem ser mais elaboradas em termos de ritmo, harmonia ou melodia, porém, muitas vezes, o simples cai muito bem. "A música também é feita de contrastes", acredita.
Contrastes
Apostando nesse contraste, alguns artistas brasileiros atuais resolveram reciclar a influência brega e misturá-la com outros elementos. Bem antropofagicamente. É o caso da banda Cidadão Instigado, de Fortaleza, que mistura algumas letras românticas (mas não só) e músicas com vocais falados no melhor estilo Roberto Carlos (em 120... 150... 200 km por hora - sim, aquela que o Leonardo regravou, algum problema?) com rock e eletrônico. Ou da cantora Karine Alexandrino, também cearense, que cantas músicas com "Baby-doll de nylon" e "Como me tornei uma adúltera".
"Acho essas iniciativas ótimas. A diversidade é a marca do Brasil, e a meu ver deve estar sempre presente", diz o Maestro.
Para Mônica, temos apenas que olhar criticamente para essa necessidade de que alguém (já consagrado ou de fora do ambiente em que a música surgiu) legitime determinado gênero, para só aí gostarmos dele. "É esquisito alguém precisar legitimar ou deslegitimar algo quando isso é verdadeiro desde o início", conclui.
beto balanço
fale:
Segunda-feira, Junho 26, 2006
Guarapa Gore
E eu que morei em Guarapari durante 17 anos, fui pra Perocão pela primeira vez já na faculdade, por causa do Primeira Mão, jornal laboratório do curso. Perocão é um bairro do meu balneário natal. Uma vila de pescadores muita bonita, que a cidade parece ter alcançado sem querer.
Mas não estávamos ali pra fazer uma matéria sobre pesca, nem sobre as belezas naturais do lugar. Estávamos ali atrás de uma produtora de vídeos de terror. De uma não, de duas. Quer dizer, de três.
Um Batman desenhado na parede nos indicava que ali era o lugar marcado. A fachada, um fliperama; algumas máquinas maiores (arcades) e algumas TV's enfileiradas na parede, ligadas à videogames e à crianças, por fios e controles. Mas como bom QG que se preze, era por trás da parede que se escondia o mais interessante: um salinha repleta de bustos de zumbis, fotos de monstros e bonecos de todos os tipo de seres do além. Era o ateliê do Rodrigo Aragão, realizador dos curtas "Peixe Podre" e "Chupa-Cabra".
Ao som de música eletrônica, ele nos apresenta a sua namorada chilena de cabelos rosa e Juninho, da (outra) produtora, Pestilento Filmes. Também mostra as suas criações, os tais bustos, que, a seu bel-prazer, mexem sobrancelhas, mãos, bocas e várias outras partes assustadoras. Eles farão parte do seu próximo projeto, o longa Mangue Negro, sobre pessoas que se tornam zumbis depois de comerem caranguejos contaminados (letárgicos?), e que saem dos manguezais para atacar geral.
Já num boteco ali nas redondezas, com Brahmas na mesa e copos cheios, começamos a conversar direito. Primeiro com Juninho, que disse que com ele tudo começou de brincadeira, um churrasco num sítio, um cachorro de pelúcia e surgia o curta Cachorro Sangrento. Mas que agora quer mais "seriedade". Mas nunca vídeos sérios, claro, já que define seus filmes mais como comédias que como terror. O próximo projeto, por exemplo, se chama "A dois cliques do inferno", sobre um cara que sem querer faz um pacto com o demônio pela Internet e acaba indo parar no inferno, que, dantescamente, é uma agência de publicidade.
Rodrigo é que queria seriedade desde o início. Desde criança, pra ser mais exato. Brincar de cinema era a diversão do cara que cresceu, foi trabalhar com teatro, trampou numa casa de terror em várias cidades do país (onde aprendeu a criar os monstros que vimos, tanto com maquiagem quanto com geringonças eletrônicas) e acabou de volta a Perocão, onde nasceu, pra ver as novas tecnologias do vídeo, mais baratas e acessíveis, possibilitarem a realização do seu sonho.
Entre o pagode rolando no bar vizinho e as crianças descendo o morro próximo em seus carrinhos de rolimã, Rodrigo era a personificação do sujeito apaixonado. Amar o cinema o fez parar de oscilar entre outros empregos e, como ele mesmo disse, tentar viver de fotossíntese para levar adiante a feitura dos seus vídeos de terror. Como quem acredita, desfiava idéias: a finalização a perder de vista do seu longa e uma série de vídeos baseados em contos populares assustadores da região.
O Thiago, da produtora Javali, infelizmente deu o bolo na gente. Foram eles que terminaram o primeiro longa dentre as três produtoras, chamado de Sob Encomenda, que lotou duas sessões numa sala de cinema da cidade.
Pensar numa revolução provocada pelas novas tecnologias é mais ou menos pensar nisso. Uma galera apaixonada que pode criar outros, os seus próprios discursos, nesse caso audiovisuais. Discursos contra a corrente, de um gênero pouco considerado pela crítica e ainda com peculiaridades regionais.
Uma subcultura gore emergindo no meio do mangue, numa cidade e num estado marginais.
E tudo na minha cidade natal!
:D
beto balanço
fale:
Domingo, Junho 18, 2006
Começos de blogues são sempre difíceis. Esse eu fiz porque me deu vontade de falar sobre coisas. Coisas que eu vejo, leio, ouço e tal.
Se bem que o meu outro também começou assim, e agora já não é. Está parado, e, quando há posts, esses são trocinhos que tendem à literatura, mas nunca chegam lá.
Bem, mas se esta coisa balouçante que é um blogue novo existe, tá aqui, feitinho, falemos pois.
Casaco de Pele de Coelho
Cara, um disco que eu ando ouvindo quase o tempo todo é o Rabbit Fur Coat, da Jenny Lewis. Mó country.
Ela é vocalista de uma banda indie americana que eu acabei de descobrir, Rilo Kiley. Mas nesse disco solo está acompanhada das Watson Twins - que são realmente gêmeas e fazem o backing vocal.
Cara, eu achei muito bom. Têm umas letras ótimas, do tipo "when you kiss someone that is too much like you, is like kiss on a mirror; when you sleep with someone that doesn't get you, you gonna hate yourself in the morning". A voz dela é linda também, e, bem, eu acho que gosto de country.
Ainda tem um clipe da música Rise Up With Fists, que parece ter sido gravado numa versão americana do Viola, Minha Viola. Tem no you tube, claro.
Fodão.
E não é a primeira artista indie que dá uma passeada um tanto quanto inesperada no alt country. Vide a Cat Power e o Black Rebel Motorcycle Club.
Seria uma tendência?
Eu não sei, mas tenho uma amiga dyke que já está se vestindo com camisas quadriculadas e tirando músicas do Jonnhy Cash no violão. E não, não é influência de América.
No máximo de Brockeback.
beto balanço
fale:
Esse estudantizinho chinfrim de comunicação que vos fala, bem, ele quer se comunicar. Sabe aquela coisa de hoje: todo mundo fala, fala, fala, e vai saber quem ouve? Pois é, nessa linha.
Isto aqui pode ser tudo, qualquer coisa.
Que seja.
beto balanço
fale:
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